Porque o futebol devia ser assim

Porque o futebol devia ser assim

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Explorando clubes (quase) desconhecidos - Larissa (GRE)

Na Grécia todos conhecemos os três grandes clubes de Atenas (Olympiakos, Panathinaikos e AEK), mas o futebol helénico não se esgota neles. Apesar de os clubes atenienses terem vencido 67 dos 79 campeonatos gregos, existem outros clubes que merecem a nossa atenção como o Larissa.
O AEL 1964 ou AE Larissa é um clube sediado na cidade de Larissa e é o único clube fora das cidades de Atenas e Salónica a vencer um campeonato grego.
Este clube foi formado em 1964 como AE Larissa, mas teve de mudar a sua designação para AEL 1964 devido a diversos problemas económicos que culminaram na bancarrota. O Larissa, que resultou da fusão de quatro pequenos clubes, teve como ponto alto da sua história a conquista da Liga Grega em 1988.
Todavia, após este triunfo, o clube helénico vendeu grande parte dos seus jogadores chave, entrando num declínio que teve como ponto mais negro a descida à terceira divisão.
Ainda assim, o clube lentamente saiu do poço, festejando, no final de 2004/05, a subida à Alpha Ethniki (1ª Divisão da Grécia). A conquista da Taça em 2006/07 e o 5º lugar no campeonato 2008/09 só provam o renascimento deste clube e a sua colocação como quinta força do futebol grego após Olympiakos, Panathinaikos, AEK e PAOK, provando, assim, que é possível renascer das cinzas.

DADOS DO CLUBE:

Nome completo: PAE Athlitiki Enosi Larissas 1964
Alcunha: Vasilissa tou Kampou (Rainha das Terras Baixas)
Fundação: 1964
Estádio: Alkazar (13108 espectadores)
Equipamento: Camisola, Calção e Meias: Vermelho Tinto
Principais Títulos: Liga Grega (87/88) e Taça da Grécia (84/85 e 06/07)
Presidente: Konstantinos Piladakis
Treinador: Marinos Ouzounidis

Equipa tipo: Viera; Venetidis, Dabizas, Katsiaros e Aarab; Metin, Kyriakidis, Iglesias e Romeu; Ricardo Jesus e Simic

Olho Clínico - Eliran Atar (ISR)


Num pequeno clube de Telavive mora, talvez, o jogador mais promissor do futebol israelita: Eliran Atar.
O avançado do Bnei Yehuda (lembras-te P. Ferreira?) tem espalhado classe nos relvados da ainda misteriosa Ligat Toto, onde se sagrou, a época transacta, o melhor marcador com 14 golos.
Rápido, tecnicista e com uma especial apetência para marcar golos absolutamente fantásticos, Atar é, aos 22 anos, um jogador cheio de potencial para dar o salto para um clube de muito maior expressão.
Vejam o video abaixo e vejam se ele não teria lugar em quase todas as equipas portuguesas...


Análise ao Sorteio do Mundial - Grupo B (Argentina, Nigéria, Coreia do Sul e Grécia)

Curiosamente, penso que este poderá ser um dos grupos mais curiosos do Mundial. Quatro selecções de quatro continentes diferentes e com formas de jogar completamente díspares.
À partida a Argentina será a grande favorita, mas, treinada por um treinador do calibre de Diego Maradona, poderá sempre dar azo a surpresas, pois qualquer uma das outras três selecções, num bom dia e de maneira diferente, poderá dar dissabores à equipa das Pampas.

Ainda assim, ninguém pode negar a superioridade da Argentina. Com jogadores que percorrem os melhores clubes e campeonatos do mundo, os sul-americanos são claramente a equipa com mais soluções neste Mundial. Uma selecção que, em condições normais, é sempre candidata a vencer o certame.
Tevez, Messi e Agüero são apenas três dos nomes que rapidamente colocam qualquer amante de futebol a sonhar e a Argentina tem o prazer de os poder por, aos três, juntos num ataque de sonho.
Infelizmente, é o maior nome de sempre do futebol argentino (Maradona) que se tornou o calcanhar de Aquiles dos sul-americanos, pois, após aquela fase de qualificação tão sofrida, nunca se sabe que Argentina aparecerá em África.

Equipa tipo: Sérgio Romero; Heinze, Demichelis, Coloccini e Zanetti; Cambiasso, Mascherano e Aimar; Messi, Agüero e Tevez

Quem também passou por dificuldades na qualificação para o Mundial 2010 foi a Nigéria, que precisou de uma ajuda de Moçambique (venceu a Tunísia na última jornada), para chegar à África do Sul.
Apesar de estar longe das grandes equipas nigerianas de 94 e 98 (Okocha, Amunike, Finidi...), esta equipa africana até pode surpreender, mas para isso não pode cometer os erros típicos das equipas africanas e que sempre evitaram que as super-águias fossem mais longe que os oitavos de final de campeonatos do Mundo.
Assim sendo, a distância entre o segundo lugar do grupo e uma viagem rápida para casa, estará na capacidade de resposta de jogadores experientes como Martins, Kanu e Yobo e na forma como estes consigam ajudar os restantes a disfarçarem os crónicos erros das selecções africanas em Mundiais.

Equipa tipo: Enyeama; Yobo, Taiwo, Nwaneri e Apam; Obi Mikel, Olofinjana e Yussuf; Martins, Yakubu e Odemwingie

Quem teve uma qualificação fácil para o Mundial foi a Coreia do Sul, que passeou superioridade no grupo asiático e venceu-o com clareza.
Longe das equipas de 86 ou 90 (saudades de Kim Joo-Sung...) onde a eliminação era uma certeza, mesmo antes do pontapé de saída, os asiáticos são agora uma equipa muito mais dotada, com jogadores de muita qualidade como Park Ji-Sung ou Seol Ki-Hyeon.
Ainda assim, tendo em conta a concorrência, duvido que os sul-coreanos consigam atingir o apuramento num grupo deste calibre.

Equipa tipo: Lee Won-Jae; Oh Beom-Seok, Cho Yong-Hyung, Kim Dong-Jin e Lee Young-Pyo; Park Ji-Sung, Kim Jung-Woo, Cho Won-Hee e Kim Nam-II; Seol Ki-Hyeon e Park Chu-Young

A mais matreira das selecções do grupo, a Grécia, precisou de ir ao playoff (venceu a Ucrânia) para chegar a este Mundial.
Surpreendentemente, os helénicos apenas disputam o seu segundo campeonato do mundo e no único que jogaram (EUA 94) fizeram uma péssima figura, acabando eliminados na 1ªfase com três derrotas, zero golos marcados e dez golos sofridos.
Ainda assim, os gregos aparecem confiantes para este certame, pois aparecem com uma velha raposa ao leme (Otto Rehhagel), técnico que já levou os helénicos a uma surpreendente vitória no Euro 2004 e jogadores de grande nível como Samaras, Karagounis ou Katsouranis.
Se não entrarem com excesso de confiança neste grupo, os gregos são favoritos a alcançarem o segundo lugar e consequente apuramento para os oitavos de final.

Equipa-tipo: Tzorvas; Kyrgiakos, Vyntra, Papastathopoulos, Spiropoulos e Moras; Katsouranis e Karagounis; Samaras, Charisteas e Salpingidis

Classificação final: A minha aposta

  1. Argentina
  2. Grécia
  3. Nigéria
  4. Coreia do Sul

Renascidos da bola - Mauricio Pinilla (CHI)

Todos nos recordamos de Pinilla, um avançado chileno muito promissor que chegou ao Sporting no início da época 2004/05. Rapidamente se tornou um jogador muito querido por entre a massa associativa do SCP que o brindava, constantemente, com a musica do "Pinigol", mesmo quando o avançado acabava, invariavelmente, por atirar mais uma bola ao lado da baliza.
Ainda assim, nunca se duvidou da classe do sul-americano, capaz de golos quase impossíveis (Moreirense e AZ, lembram-se?) e de um mítico hat-trick em Braga, num jogo em que o Sporting poupou alguns jogadores e saiu do Minho com uma vitória por três bolas a zero.
Com bom remate, técnica apurada, posicionamento, resistência ao choque e bom jogo de cabeça, entristecia ver o chileno perder-se nos excessos da noite e acabar por tornar-se num novo Dani.
Felizmente, e após experiências falhadas em clubes como o Vasco da Gama, Racing ou Hearts, o ponta de lança começa a demonstrar todo o seu potencial num pequeno clube da extremamente competitiva Serie B italiana: Grossetto.
Com 12 golos em 14 jogos, Pinilla começa agora a chamar a atenção de clubes da Serie A e já se especula que, provavelmente, o chileno irá dar o salto já neste inverno. O futebol agradece o renascimento de Pinigol.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

O melhor onze - Vitória Guimarães

Ao contrário do que muitos pensavam, Paulo Sérgio veio provar que o Vitória de Guimarães sempre teve um bom plantel e que poderá, facilmente, se intrometer na luta por um lugar na Liga Europa.
Com uma equipa com boas soluções para quase todas as posições, os minhotos estão, finalmente, a encontrar uma boa regularidade exibicional e, também, de resultados. A essa situação não se pode negar o mérito a Paulo Sérgio que trabalhou muito bem a equipa e colocou-a uns bons furos acima.
Ainda assim, existe sempre um onze, que, acreditamos, é o melhor onze e aquele que potencia todas as qualidades de uma equipa. Na minha opinião este seria o do Vitória:

Os vimarenenses, com este onze, teriam um guarda-redes muito seguro e experiente (Nilson), um lateral mais defensivo (Milhazes), que poderia ajudar no centro da defesa, em situações em que um dos centrais (Moreno ou Sereno) tivesse que dobrar, à direita, as subidas do lateral ofensivo (Andrezinho). Um cinco defensivo muito equilibrado e que garantia tanto uma defesa segura como um bom início do processo ofensivo, pois, por exemplo, Moreno é um jogador que sobe muito bem com a bola controlada.
No miolo, um trinco totalmente defensivo (Custódio) um jogador "box to box" que descairia um pouco para a esquerda para compensar o facto de Milhazes ser pouco ofensivo (João Alves) e um nº 10 puro que teria toda a liberdade para "inventar" o jogo ofensivo do Vitória (Nuno Assis). Um meio campo equilibrado e compacto, que teria no posicionamento de João Alves (mais à frente ou mais recuado) a nuance táctica para jogos contra equipas mais ou menos defensivas.
No ataque, tudo muito simples, dois extremos rápidos e tecnicistas que iriam fazer a vida negra aos laterais contrários (Desmarets e Targino) e um ponta de lança forte, possante, de remate fácil e com bom jogo de cabeça (Douglas) que pudesse tanto corresponder às assistências de Nuno Assis como a cruzamentos dos extremos e/ou laterais.
Com este onze como base, dificilmente o Guimarães terminaria o campeonato abaixo do quinto lugar.

Olho Clínico - Vincent Enyeama (NIG)


Costuma-se dizer que não existem bons guarda-redes africanos. Na minha opinião, trata-se de uma enorme mentira até porque rapidamente nos lembramos daquele príncipe nigeriano que brilhou nos anos 90 ao serviço do Farense: Peter Rufai.

Actualmente, quando pensamos em "keepers" africanos de topo, lembramo-nos rapidamente de Carlos Kameni, camaronês do Espanyol, um guarda-redes elástico e seguro, todavia, uns furos abaixo do titular da selecção nigeriana.

Vincent Enyeama, de 27 anos, brilha, desde 2007, no Hapoel Telavive, onde, jogo após jogo, demonstra toda a sua classe. O nigeriano tem uma enorme elasticidade, excelente posicionamento e um sangue-frio pouco habitual em guarda-redes africanos. Surpreendentemente continua escondido no pouco mediático campeonato de Israel, apesar de já ter 42 internacionalizações pela Nigéria.

Com o passe avaliado em "apenas" dois milhões de euros, será uma boa aposta para clubes portugueses de grande e média dimensão, interessados em contratarem um guarda-redes que será, certamente, uma mais valia para o seu plantel. Vejam o video abaixo e perceberão do que estou a falar.

A evolução do futebol africano


Longe vão os tempos da participação do Zaire (actual RD Congo) no mundial de 1974. Nessa competição chocou a forma infantil e, em muitos casos, totalmente ridícula como essa formação africana sofria golos ou via cartões.
Em 1982, os Camarões já mostraram um futebol bem mais competitivo, acabando mesmo a competição sem qualquer derrota (apesar de eliminados na 1ª fase...) e, em 1990, atingiram mesmo os quartos de final, onde apenas foram eliminados pela Inglaterra de Bobby Robson (2-3 a.p.).
Poderão vocês recordarem-me outros exemplos como a Argélia (82) ou Marrocos (86) (Olá Saltillo!), mas apenas me estou a debruçar no futebol da chamada "África Negra", pois sempre me pareceu o futebol mais talentoso e com mais margem de progressão de África, levando, ano após ano, a uma simples pergunta: Quando será uma Selecção africana campeã do mundo?
Com o sucesso dos Camarões em Itália, esperava-se que os africanos lapidassem melhor os seus defeitos e acreditava-se que, pelo menos em 1998 ou 2002, já houvesse uma equipa africana a lutar por esse título, contudo, isso nunca aconteceu.
As equipas africanas continuam a mostrar as mesmas qualidades e defeitos que a equipa de Roger Milla mostrou em 1982. Se têm técnica elevada, correm o tempo todo, são corajosos e solidários, também, demonstram desconcentrações incompreensíveis, jogam para o público quando deveriam segurar vantagens, demonstram agressividade exagerada o que custa cartões, etc.
Assim sendo, começa-se a acreditar que, independentemente de técnicos europeus ou sul-americanos, as selecções africanas vão sempre mostrar as mesmas qualidades e defeitos, que são, na verdade, inerentes ao seu código genético. Assim, ver futebol africano será sempre um carrossel de emoções como o jogo de ontem (Angola 4-4 Mali) em que uma equipa (Angola) sofreu três (!!!) golos a partir do minuto 88.
Nós, adeptos de futebol, continuamos a agradecer o futebol ofensivo e aquela pureza que só os africanos nos conseguem dar, todavia, é essa mesma magia que tanto nos cativa, que os afasta de ganharem uma grande competição...